Saltar para o conteúdo

Mensagens de Advento e Natal do Sr. Arcebispo

27/11/2014

A sociedade moderna está marcada pela palavra. Fala-se para comunicar, exigir, criticar, denunciar, propor, reclamar. Fala-se presencialmente, com calma ou gritando, ou virtualmente, escondendo o rosto ou a identidade. São diversas as ocasiões e as modalidades para usar da palavra oportuna ou inoportunamente.

O Natal, por sua vez, é tempo de contemplar, de “tomar conta da Palavra para que Ela tome conta de nós”. A Palavra com letra maiúscula ou, se preferirmos, o Verbo que se fez homem e veio habitar connosco (cf. Jo 1, 14). O nascimento de Cristo significa, por isso, o apelo a uma palavra diferente da nossa parte. Uma palavra vinculada a Cristo, inspirada nos gestos e nas ações que Ele realizou, uma palavra que seja testemunho para a sociedade.

Neste período natalício, como gostaria de verificar que as palavras dos políticos não fossem mero balbuciar de sons sem correspondência existencial. Como seria bom que a comunicação social não se vendesse a interesses mas optasse coerentemente pela verdade. Como o mundo seria diferente se a transparência permeasse os diálogos das pessoas. O Natal exige que as palavras tenham correspondência com acções. As palavras valem se tiverem suporte nas obras. As obras são a linguagem que todos entendem. Obras de amor e de justiça precisam-se! Deixemos, então, que elas falem e a sociedade será outra.

Que o nosso olfacto seja sensível aos odores vindos dos mais diversos dramas da humanidade. Que as nossas mãos toquem as mãos de quem sofre e espera respostas.  Que a nossa vida se identifique com a vida do próximo e as suas interpelações.

Tocados pela necessidade de agir para o bem dos outros, sejamos o “abraço de Deus” que restitui a dignidade humana e dá resposta às mais variadas necessidades materiais e espirituais, particularmente àquelas que surgem de improviso.

+ Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

“Advento Social para Natal Cristão” é o título dado por D. Jorge Ortiga à sua Mensagem de Advento para este ano.

Numa mensagem em que as preocupações sociais estiveram em destaque, o Arcebispo Primaz aludiu ao Advento através da noção de parentalidade. Recordando a verdadeira “riqueza escondida” que significa o nascimento de um filho, D. Jorge Ortiga falou da “esperança num mundo diferente” que uma criança pode despertar.

O Arcepisbo de Braga dedicou ainda uma palavra a cada semana do Advento.

Descoberta” no sentido de descobrir o Outro sem outras intenções que não as de descobri-lo e encontrá-lo “sem pressas”.

Encontro”, para que os cristãos de todo o mundo possam encontrar o próximo e para que a sociedade não caia nem no anonimato, nem no esquecimento.

Alegria”, que só pode ser encontrada e vivida através da gratuidade, do dar de forma “desinteressada” e apaixonada.

Pão”, para que aqueles que não o têm nunca sejam esquecidos e para aqueles a quem falta algo, mesmo tendo pão, sejam inundados de “fome de justiça”.

D. Jorge Ortiga concluiu a mensagem pedindo que o Advento dê a todos os cristãos a “fome de justiça” e que, com ela, um verdadeiro Natal cristão nasça em todos os lares.

Anúncios

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: