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Páscoa Feliz

16/04/2017

Quando me apresentei para anunciar Jesus Cristo incarnado no homem e a caminho do Pai, na liberdade, na justiça, na paz e no amor, construí Páscoa.
Quando cantei a esperança aos que sofriam o abandono e a solidão e experimentavam na carne e na vida a agressão à sua dignidade de pessoas e de filhos de Deus, construí Páscoa.
Quando acolhi alguém com fome de ser ouvido porque encontrava as portas a que batia sempre fechadas, construí Páscoa.
Quando enxuguei lágrimas, quando ajudei a sorrir, quando despertei vontade de viver e de caminhar, construí Páscoa.
Quando parei junto a um pobre do caminho, porventura sujo, ébrio e repelente e lhe estendi a mão, sorri e falei com ele, construí Páscoa.
Quando fiz crescer uma flor, aconcheguei uma gota de água a uma planta com sede, ajudei com o meu procedimento a que minha casa, que é o mundo, se conservasse limpa e fresca, construí Páscoa.
É que, se acreditamos em Cristo, a nossa vida é Páscoa, construímos Páscoa.
Ela, a Páscoa, aconteceu. Mas é preciso que continue a acontecer, vencendo as resistências do nosso egoísmo, do nosso individualismo, da nossa acomodação, da nossa desumanidade, das trevas que se adensam diante da nossa (pouca) fé, como aconteceu na primeira Páscoa com a vitória de Jesus sobre o pecado e sobre a morte.
É preciso que o mundo acredite na Páscoa.
É preciso que a Igreja acredite na Páscoa.
É preciso que eu acredite na Páscoa.
Viva a Páscoa!

Tríduo Pascal

14/04/2017

Num documento da reforma litúrgica que dá pelo nome de “Normas Gerais do Ano Litúrgico e do Calendário Romano” lêem-se estas palavras: “O sagrado Tríduo da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ponto culminante de todo o ano litúrgico” (NGALC 18; EDREL 856). A este sagrado Tríduo chama-se também Tríduo Pascal: “tríduo”, por abranger um período de três dias consecutivos; “pascal”, por acontecer nas imediações da Páscoa de Jesus.

Afirmar que o Tríduo é o ponto culminante do ano litúrgico equivale a dizer que ele é o verdadeiro centro de toda a liturgia cristã. Ele não é uma simples festa, mas a festa das festas; não é apenas uma grande solenidade, mas a solenidade das solenidades cristãs (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1169). Não há, no decurso do ano litúrgico, nada maior do que ele. Santo Agostinho chamava-lhe “Tríduo de Cristo morto, sepultado e ressuscitado”.

Qual a razão desta importância ímpar do Tríduo Pascal, perguntarão os nossos leitores? A resposta volta a dá-la o documento já citado juntamente com a Constituição Litúrgica: “Porque a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus foi realizada por Cristo especialmente no seu mistério pascal” (Ibidem), e porque “Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente nas acções litúrgicas” (SC 7). É esta presença de Cristo, particularmente nas celebrações do Tríduo Pascal, que faz delas o ponto culminante da liturgia cristã.

Está quase a chegar o Tríduo Pascal deste ano. O seu início vai acontecer «na Missa da Ceia do Senhor» (tarde de Quinta-Feira santa). Mas o Tríduo propriamente dito será a Sexta-Feira Santa (dia da paixão, morte e sepultura de Jesus), o Sábado Santo (dia em que o corpo de Cristo repousou no sepulcro) e o Domingo (dia da ressurreição e das primeiras aparições de Jesus). O coração pulsante do grande Mistério é a «Vigília Pascal, mãe de todas as santas vigílias» (NGALC 19.21; EDREL 857.859).

Bendito seja Deus pela Liturgia destes três dias santíssimos. Não é para recordar factos do passado, por mais importantes que sejam, que participamos nas celebrações do Tríduo, mas para tornar presente um Mistério, cuja eficácia nos envolve e une a Cristo. O Senhor da cruz, do túmulo e da ressurreição toca-nos naqueles ritos, ilumina-nos nas palavras e cânticos que proferimos e escutamos. Não somos nós que nos tornamos santos, mas é Cristo que nos santifica através da participação viva, consciente e activa nestas celebrações.

Se já adquiriste o hábito de não trocar a participação no Tríduo por outras ocupações da tua vida, dá graças ao Senhor e continua a fazê-lo. Se, pelo contrário, nunca participaste nas suas celebrações, deixa-me dizer-te que ainda não descobriste o que é começar a ser cristão deveras. Se quiseres, aceita livremente o meu convite: vem ao Tríduo. Nele encontrarás Cristo, e, se não Lhe opuseres resistência, Ele transformará a tua vida.

Mais do que tu próprio, por tuas orações e trabalhos, é Cristo, na Liturgia, que te torna cristão a valer. O cristianismo não é um voluntarismo. É um DOM. Vem do Pai, não nasce de ti, embora procure e suscite em ti a resposta da tua liberdade. Pela Liturgia da terra participa desde já, cristão, na Liturgia celeste que eternamente é celebrada no seio da Santíssima Trindade.
P. José de Leão Cordeiro

Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém

09/04/2017

Solenidades da Semana Santa

03/04/2017

As solenidades da Semana Santa iniciam-se na próxima sexta-feira, dia 7, às 21h00, com a Via-Sacra Interparoquial, que se desenvolverá desde a Igreja Matriz de Esposende até à Capela de S. Lourenço, em Vila Chã, com participação da Pastoral Juvenil Arciprestal.

No Domingo de Ramos, às 09h45, após a bênção dos ramos na Igreja da Misericórdia, decorrerá a Procissão da Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém, com a participação de crianças, adolescentes e jovens, seguindo-se a Eucaristia do Domingo da Paixão, às 10h00, na Igreja Matriz. No final da Eucaristia segue-se a Procissão aos Doentes.

Ainda no que se refere ao programa religioso, destacamos a Missa da Reconciliação, no dia 10, às 21h00, na Igreja Matriz.

Já no dia 11, das 20h00 às 21h00 teremos a Celebração do Sacramento da Penitência, que ocorre também na Manhã da Sexta-feira Santa e de Sábado santo, após a oração de Laudes, às 09h30.

No dia 12 destacamos a Procissão de Velas, desde a Capela da Senhora da Saúde até à Igreja Matriz, às 21h00, encerrando com o Concerto Temático “Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, pelo Coro de Câmara da Igreja Matriz de Esposende.

Na Quinta-feira Santa, às 17h00, teremos a Missa da Instituição da Eucaristia, com a cerimónia do Lava-Pés, presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. Francisco Senra Coelho, que no dia seguinte preside, às 15h30, à Celebração da Paixão.

A Procissão do Encontro ocorre na Quinta-feira Santa, dia 13, e a Procissão do Enterro do Senhor, tem lugar na Sexta-feira Santa, dia 14.

O ponto alto das solenidades é, sem dúvida, a Vigília Pascal, também presidida por D. Francisco Senra Coelho, no Sábado, dia 15, às 22h00.

No Domingo de Páscoa teremos as eucaristias habituais e, de tarde, a tradicional Visita do Compasso Pascal.

Na segunda-feira, dia 17, após a Missa das 10h00 teremos a habitual Procissão da recolha das Imagens.

As celebrações serão todas solenizadas pelo Coro de Câmara da Igreja Matriz de Esposende.

24 horas para o Senhor na Matriz de Esposende

11/03/2017

Arcebispo Primaz: Mensagem da Quaresma 2017

01/03/2017

Família, “casa” onde o outro se encontra e descobre

O ritmo da liturgia apresenta-nos, uma vez mais, a Quaresma como um tempo especial. São quarentas dias que Deus nos oferece para nos desvincularmos das preocupações quotidianas e nos centrarmos Nele. Nenhum de nós foi feito para a mediocridade. Olhar para Cristo é, por isso, o reconhecimento de que alguém nos supera, nos fascina e nos pede voos maiores. Em síntese, Cristo pede-nos uma vida nova centrada N’Ele.

É possível que, para algumas pessoas, estas palavras sejam de difícil compreensão. O que significa uma vida centrada em Cristo? Significa reconhecer que Cristo está vivo e ocupa um lugar especial na minha vida. Significa também reconhecer que a Sua presença é, para mim, fonte de alegria.

Admito que nem sempre “sentimos”, como gostaríamos, a presença de Cristo. Sentir como aquele que vê com os próprios olhos ou toca com as próprias mãos. Existe um certo Tomé em cada um de nós. A presença de Cristo é suave, subtil e quase imperceptível. Reconhecê-lo é um acto de fé que carece de tempos e lugares adequados. São, sobretudo, momentos de contemplação com paciência e persistência.

Nesta Quaresma, gostaria de recordar dois caminhos para o encontro com Cristo.

1. Os olhos do sofredor falam de Cristo. O Santo Padre, o Papa Francisco, é categórico ao afirmar que “fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”. A sensibilidade para o divino treina-se com o exercício da fraternidade. Pobres de nós quando passamos adiante do sofredor ou aproveitamos e exploramos aquele que pouco ou nada tem. O pobre e o mais débil oferece-nos muito quando lhe damos a nossa atenção, delicadeza, carinho e, em muitos casos, a esmola que dá alento e coragem.

2. Educar para a vida. A Quaresma, apesar do seu timbre introspectivo, é um tempo de abertura e de preparação para a vida. Vida que nasce, antes de mais, da escuta da Palavra, da reflexão e da defesa de valores inalienáveis. Diz o Papa Francisco que é necessário aproveitar estes tempos para uma “corajosa acção educativa em favor da vida humana”. Permitam-me ser claro: a vida da criança que está para nascer ou da pessoa que está para morrer é sagrada. A vida é um direito fundamental e inviolável! Escapa ao nosso domínio determinar sobre algo que nos ultrapassa. Vida é, em todas as circunstâncias, vida.

O outro é sempre um dom. Experimentamos esta verdade sobretudo na família, entre os esposos, entre pais e filhos, avós e netos. Daí a necessidade de tornar a família uma “casa” onde Maria mora. Aprofundamos assim a gratuidade do amor e tornámo-la escola para viver com e para os outros. Trabalhemos a família e dediquemos-lhe tempo para que se torne o que é em essência: lugar de encontro com o outro que percorre a vida com dedicação universal, carinhosa, sacrificada, mas também alegre pois o amor nunca cansa.

Glorifiquemos o Senhor e alegremo-nos em Deus, tornando a Quaresma um tempo favorável para acolher o dom da Palavra e o dom do outro. Acolhendo estes dons, com o tempo e energia que lhes consagramos, testemunharemos os frutos de uma vida espiritual madura e de uma sensibilidade humana. Segundo o nosso Programa Pastoral, trabalhando a penitência através da trilogia do jejum, oração e esmola, descobriremos, neste ano mariano, a identidade cristã no quotidiano da vida. Não desperdicemos esta graça! O outro é dom, sobretudo na família e, a partir daí, com todos na predilecção dos mais débeis.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

Fonte: Arcebispo Primaz: Mensagem da Quaresma – Arquivo – Notícias – Arquidiocese de Braga

Carta do Papa Francisco aos Jovens

15/01/2017

CARTA DO PAPA FRANCISCO
AOS JOVENS POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DO DOCUMENTO PREPARATÓRIO
PARA A XV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
DO SÍNODO DOS BISPOS

Caríssimos jovens!
É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema
«Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da
atenção, porque vos trago no coração. Exatamente hoje é apresentado o Documento
preparatório, que confio também a vós como «bússola» ao longo deste caminho.
Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a
casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são
dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes
em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do
qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos
corações através do sopro do Espírito Santo.
Quando Deus disse a Abraão «Sai!», o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir
dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse
tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma
sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às
periferias do mundo?
Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da
injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são
forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo
da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).
Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe
perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus
dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens,
encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou
convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no
mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será
possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados,
souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa
vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico
de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.
Na inauguração da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias
vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado
nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do
descartável, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai aquele clamor que provém do
vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem
idade, Deus encoraja-vos a ir para onde Ele vos envia: «Não deves ter […] porque Eu estarei
contigo para te libertar» (cf. Jr 1, 8).
Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa
generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não
hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja
deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas
dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e
fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão
importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem
que o Senhor revela a melhor solução» (Regra de São Bento III, 3).
Assim, inclusive através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda
mais, «contribuir para a vossa alegria» (2 Cor 1, 24). Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem
como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie
para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso (cf. Lc 1, 38).

Com afeto paterno,
FRANCISCO
Vaticano, 13 de janeiro de 2017.