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Um coração semelhante ao Seu – Arquivo – Notícias – Arquidiocese de Braga

14/07/2019

A liturgia do último Domingo alertava-nos para uma verdade incontestável da qual nem sempre temos consciência. “A messe é grande e os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37). Uma verdade no tempo de Cristo mas que actualmente assume uma acuidade relevante.

O dia das ordenações é momento para darmos graças a Deus pelo dom das vocações que Ele nos oferece e que são cuidadas pelas nossas equipas de formação dos Seminários, a quem a Arquidiocese está sempre grata, pelo trabalho realizado mas sobretudo pela paixão que colocam no discernimento e acompanhamento vocacional. Dando graças, não podemos fugir à verdade de uma Arquidiocese que se depara com dificuldades para responder às solicitações das comunidades. São muitas as necessidades e todos temos de nos sentir comprometidos. Somos cada vez menos sacerdotes e as actividades pastorais são mais diversificadas e complexas. É importante que ninguém ignore esta realidade.

Os números não são tudo na vida da Igreja. No seu pragmatismo, tornam-se interpelações que não podem ser ignoradas. Deixo hoje apenas alguns dados para tirarmos conclusões.

Actualmente somos 372 sacerdotes diocesanos, 340 a residir na Arquidiocese e 32 a residir fora. Temos, ainda, a colaborar connosco 7 sacerdotes das dioceses de Angola e 15 religiosos de diversas Congregações. A trabalhar na Arquidiocese somos 340 de Braga e 22 (de Angola e de Institutos Religiosos), o que perfaz 362. Quanto aos párocos, somos 310 diocesanos mais os 12 de fora.

Um dado importante é que 22 sacerdotes de Angola ou dos Institutos Religiosos têm ao seu encargo 35 paróquias. É de prever que os Religiosos continuem com as 13, mas os de Angola, que neste momento coordenam 22 comunidades, podem deixar-nos de um momento para o outro.

Em termos de média etária, temos 119 sacerdotes com menos de 50 anos, 140 entre 50 e 75 anos e 116 com mais de 75 anos. A média etária em 2012 era 58,86 anos e hoje é de 65,31 anos.

A estes dados teremos de acrescentar que existe, todos os anos, um deficit de cerca de 10 sacerdotes entre os que morrem e os que são ordenados. Isto significa que daqui a cinco anos serão ainda mais os sacerdotes com 75 anos e o número dos sacerdotes rondará os 322.

Uma homilia em dia de ordenações terá de conduzir a uma séria reflexão. Não podemos cair em alarmismos e nunca permitiremos um clima de desmotivação. Sabemos que caminhamos para uma realidade sociológica totalmente diferente. O tempo corre veloz e lança alertas para que as comunidades se convençam desta realidade e se abram a novas soluções. Não poderemos continuar na lógica de ter um padre por cada paróquia. Existem várias hipóteses a ponderar e todos, de um modo sinodal, terão de aportar as suas reflexões, criando um clima de mudança e fazendo tudo com serenidade e sentido positivo. Também os sacerdotes não poderão continuar com esquemas tradicionais. Somos menos e as forças físicas diminuem. Teremos de, com alegria e dedicação, encontrar caminhos que não dependem apenas do Arcebispo e dos órgãos diocesanos. Deus está com a Sua Igreja. O Espírito sugere caminhos de organização pastoral diferentes. Não podemos fazer de conta e esperar que os outros resolvam os problemas do amanhã.

Um pormenor que emerge sempre é o das celebrações dominicais e dos sacramentos. É fácil acomodar-se à situação correndo esfalfadamente no intuito de responder aos desejos de todos. Importa mudar!

Sabemos que a liturgia “é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força” (SC 10). De entre as acções litúrgicas, a Eucaristia é aquela que maior expressão tem nas nossas comunidades paroquiais e que marca o seu ritmo. É, por isso, compreensível que alterações relativas aos hábitos celebrativos, instituídos nas comunidades, sejam de difícil assimilação. Contudo, não podemos ignorar as implicações dos números antes apresentados. Não estamos a conseguir uma renovação do clero que nos permita manter as práticas e costumes que até há bem pouco tempo se observavam com facilidade. Esta é a grande verdade!

As comunidades precisam de estar conscientes destas mudanças e dóceis à acção do Espírito Santo, que guia a Igreja de Jesus Cristo. Devem perscrutar novas formas de organizar a celebração e vivência do Domingo. A este dado acresce o facto que o sacerdote deve celebrar apenas as Eucaristias determinadas pelo Código do Direito Canónico. Havendo grave necessidade pastoral, que consiste em não privar um grupo considerável de fieis de participar na Eucaristia, o Bispo diocesano pode autorizar o sacerdote a celebrar duas ou três eucaristias nos Domingos e festas de preceito (Cf. Cân. 905 §2). Celebrar mais do que três eucaristias nos Domingos ou festas de preceito é uma possibilidade que está vedada ao sacerdote e que o Bispo diocesano também não pode autorizar. Acresce ainda que a eucaristia é o local onde a comunidade se reúne, o que não se compadece com a escassez de tempo para acolher as pessoas e disponibilidade interior para preparar e viver convenientemente os mistérios sagrados.

Não podemos ignorar que cada vez são mais os sacerdotes a quem se confiam muito mais do que três paróquias, o que impede que todas as paróquias tenham celebração eucarística ao Domingo. Mas há outras possibilidades a considerar: a articulação com as missas Vespertinas, a Celebração Dominical na ausência do presbítero, confiando a presidência a leigos devidamente preparados; e, não menos importante, a efectiva articulação das unidades pastorais e consequente deslocação dos fiéis dentro das mesmas. Poderá ser custosa para muitos e impossível para alguns. Por aqui passa a consciência eclesial, de pertença à Igreja, que poderá exigir sacrifícios mas sempre na alegria de que “não podemos viver sem o Domingo“, ou seja, sem eucaristia. Pregamos em demasia a obrigação da prática dominical. As coisas não acontecem por imposição. Importa uma redescoberta do que significa ser discípulo de Jesus, onde a paixão pelo encontro fraterno e comunitário acontece como prioridade no meio de possíveis actividades.

O discípulo não consegue viver sem uma relação íntima com o mestre. Não me tenho cansado de insistir na prioridade “do ser” sobre “o fazer”. Em primeiro lugar experimentamos o dom do amor e só depois mostramos o que ele significa para nós. Convido novamente a que leiam a Carta Pastoral “Uma alma para o corpo da Igreja”.

Enfrentamos muitos problemas. Creio que, parte deles, decorrem da falta de uma espiritualidade devidamente estruturada que não se separa da vida mas cresce no meio das vicissitudes do peregrinar humano, dos enigmas, perplexidades e interrogações. Com espiritualidade tudo se ultrapassa. Sem ela, a vida retrocede. E se outrora a espiritualidade era uma espécie de aventura solitária, hoje ninguém progride se não se empenhar numa espiritualidade colectiva, “do nós“ como diz o Papa Francisco. Crescemos juntos e definhámos no individualismo por mais esforço que façamos.

O Evangelho de hoje apresenta-nos um doutor da lei, conhecedor de tudo quanto estava escrito, a fazer perguntas para experimentar Jesus. Aos seus conhecimentos Jesus acrescenta “Faz e viverás”. Explicitou, deste modo, “o fazer” na desafiante parábola do Samaritano. Isto faz-me pensar na extrema importância “do saber” aliado ao “ser”. Dito de outro modo, o “saber” sem “fazer” é quase inútil, são pensamentos sem resultados concretos. Também não me canso de pedir aos sacerdotes e leigos um compromisso concreto no saber.

Não seremos capazes de progredir sem uma sólida formação permanente e abrangente. Com menos activos, teremos de fazer ainda melhor, o que exige uma perspicácia que só o estudo consegue garantir. Limitar-se a repetir é fácil. Ousar caminhos novos só é possível com reflexão e estudo.

Para “ser” necessitamos de “saber” e o “saber” conduz-nos ao “fazer” numa contínua reciprocidade. Os outros devem “ver as obras que meu Pai do céu diz para fazer”. A Palavra de Deus é oferecida de modo a ser vivida. Na parábola do Evangelho, Jesus incita o doutor da lei “a passar da ortodoxia estéril à ortopaxis”.

Não existe verdadeiro culto quanto este não se traduz no serviço ao próximo. O samaritano teve compaixão. Os outros dois viram mas os corações permaneceram fechados. Poderemos conhecer toda a Sagrada Escritura, todos os textos e rubricas litúrgicas, toda a teologia sistemática e compêndio de pastoral, mas se formos meros espectadores, ignorando o sofrimento humano, não estaremos em sintonia com o Coração de Jesus que tem compaixão, sofre connosco, aproxima-se, identifica-se.

O caminho mais credível da evangelização são os gestos concretos, gratuitos, como aqueles que o Bom Samaritano nos testemunha. Quando estes não acontecem, a pregação é falsa e a vida dos evangelizadores torna-se um engano que não convence ninguém. O Samaritano não pergunta. Não quer saber o que aconteceu. Viu a necessidade e com toda a prontidão oferece ajuda.

Perante o cenário das nossas comunidades, e olhando para a realidade do nosso presbitério, pedimos, na proximidade da primeira festa de S. Bartolomeu dos Mártires, a 18 de Julho, a causa da renovação da Arquidiocese.

Damos graças a Deus por todos os presbíteros que vivem com paixão o seu sacerdócio, agradecemos às equipas formadoras dos seminários que nos oferecem, anualmente, este dom, assim como aos pais dos novos sacerdotes. Com S. Bartolomeu dos Mártires sejamos um só coração e uma só alma que se entrega a Deus, que quer conhecer o dom da Palavra e fazer da sua vida um testemunho da bondade de Deus.

Fonte: Um coração semelhante ao Seu – Arquivo – Notícias – Arquidiocese de Braga

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Tema das Jornadas da Juventude 2022

22/06/2019

«Maria levantou-se e partiu apressadamente» é o mote para a primeira edição em Portugal do maior encontro católico de jovens

Cidade do Vaticano, 22 jun 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco anunciou hoje os temas escolhidos para o itinerário de três anos das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que culmina com a celebração internacional do evento, a decorrer em Lisboa no verão de 2022.

“A próxima edição internacional da JMJ será em Lisboa, em 2022. Para esta etapa de peregrinação intercontinental dos jovens escolhi como tema ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’ (Lc 1, 39)”, disse o pontífice, no Vaticano.

Francisco falava esta manhã aos jovens participantes no XI Fórum Internacional da Juventude dedicado ao Sínodo e à Exortação Apostólica ‘Cristo Vive’, uma iniciativa promovida pela Santa Sé.

No seu discurso, o Papa manifestou a intenção de que estes temas promovam uma “harmonia” entre o itinerário para a JMJ 2022 e o caminho da Igreja Católica após o Sínodo dedicado às novas gerações (outubro de 2018).

Desejo que haja uma grande sintonia entre o itinerário para a JMJ de Lisboa e o caminho pós-sinodal. Não ignorem a voz de Deus, que impele a levantar e seguir os caminhos que Ele preparou para vocês. Como Maria, e junto com ela, sejam portadores da sua alegria e do seu amor, todos os dias”, referiu.

A edição portuguesa (37ª JMJ) tem como tema uma passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 1, 39) relativa à visita da Virgem Maria à sua prima, Santa Isabel, mãe de São João Batista.

Em 2020, a celebração da JMJ acontece a nível diocesano, nas várias comunidades católicas, no Domingo de Roamos (5 de abril) e o tema escolhido pelo Papa Francisco é ‘Jovem, eu te digo, levanta-te!’ (Lc 7, 14), uma afirmação de Jesus Cristo que surge no contexto de um relato de ressurreição do filho único de uma mulher viúva – uma situação de particular fragilidade no contexto do mundo judaico de então.

Para 2021, com celebração igualmente a nível diocesano (28 de março), a proposta é a passagem do livro bíblico dos Atos dos Apóstolos relativa à conversão de São Paulo: “Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!” (At 26, 16).

O Papa disse aos jovens que se reuniram no Vaticano, incluindo dois representantes portugueses, que são o “hoje de Deus, o hoje da Igreja”.

“A Igreja tem necessidade de vocês para ser plenamente ela própria. Como Igreja, são o Corpo do Senhor Ressuscitado, presente no mundo. Peço que se lembrem sempre que são membros de um único corpo, estão ligados uns aos outros e não sobrevivem sozinhos”, assinalou.

A 27 de janeiro deste ano, o Vaticano anunciou que Portugal vai acolher a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na cidade de Lisboa, em 2022.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível local (diocesano) no Domingo de Ramos, alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos, numa grande cidade.

As edições internais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

OC

 

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Edições Internacionais da JMJ

1987 – Buenos Aires (Argentina)

1989 – Santiago de Compostela (Espanha)

1991 – Czestochowa (Polónia)

1993 – Denver (EUA)

1995 – Manila (Filipinas)

1997 – Paris (França)

2000 – Roma (Itália)

2002 – Toronto (Canadá)

2005 – Colónia (Alemanha)

2008 – Sidney (Austrália)

2011 – Madrid (Espanha)

2013 – Rio de Janeiro (Brasil)

2016 – Cracóvia (Polónia)

2019 – Cidade do Panamá.

2022 – Lisboa (Portugal).

In: https://agencia.ecclesia.pt/portal/jmj-2022-papa-anuncia-tema-para-jornada-de-lisboa/?fbclid=IwAR19Lwz472tjTiylIsafOOyB75SQ7QJi-ex1YWWc7o1l1X5c6CbBW4bCMrY

Semana Santa – Outros desafios eclesiais (não à INDIFERENÇA) – EG 102-109

13/04/2019

Outros desafios eclesiais

  1. A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados. Cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja. Embora não suficiente, pode-se contar com um numeroso laicado, dotado de um arreigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração da fé. Mas, a tomada de consciência desta responsabilidade laical que nasce do Batismo e da Confirmação não se manifesta de igual modo em toda a parte; nalguns casos, porque não se formaram para assumir responsabilidades importantes, noutros por não encontrar espaço nas suas Igrejas particulares para poderem exprimir-se e agir por causa dum excessivo clericalismo que os mantém à margem das decisões. Apesar de se notar uma maior participação de muitos nos ministérios laicais, este compromisso não se reflete na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e económico; limita-se muitas vezes às tarefas no seio da Igreja, sem um empenhamento real pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade. A formação dos leigos e a evangelização das categorias profissionais e intelectuais constituem um importante desafio pastoral.
  2. A Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens. Por exemplo, a especial solicitude feminina pelos outros, que se exprime de modo particular, mas não exclusivamente, na maternidade. Vejo, com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica. Mas ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Porque «o génio feminino é necessário em todas as expressões da vida social; por isso deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho» e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais.
  3. As reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente. O sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão, mas pode tornar-se particularmente controversa se se identifica demasiado a potestade sacramental com o poder. Não se esqueça que, quando falamos da potestade sacerdotal, «estamos na esfera da função e não na da dignidade e da santidade». O sacerdócio ministerial é um dos meios que Jesus utiliza ao serviço do seu povo, mas a grande dignidade vem do Batismo, que é acessível a todos. A configuração do sacerdote com Cristo Cabeça – isto é, como fonte principal da graça – não comporta uma exaltação que o coloque por cima dos demais. Na Igreja, as funções «não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros». Com efeito, uma mulher, Maria, é mais importante do que os Bispos. Mesmo quando a função do sacerdócio ministerial é considerada «hierárquica», há que ter bem presente que «se ordena integralmente à santidade dos membros do corpo místico de Cristo». A sua pedra de fecho e o seu fulcro não são o poder entendido como domínio, mas a potestade de administrar o sacramento da Eucaristia; daqui deriva a sua autoridade, que é sempre um serviço ao povo. Aqui está um grande desafio para os Pastores e para os teólogos, que poderiam ajudar a reconhecer melhor o que isto implica no que se refere ao possível lugar das mulheres onde se tomam decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja.
  4. A pastoral juvenil, tal como estávamos habituados a desenvolvê-la, sofreu o impacto das mudanças sociais. Nas estruturas ordinárias, os jovens habitualmente não encontram respostas para as suas preocupações, necessidades, problemas e feridas. A nós, adultos, custa-nos ouvi-los com paciência, compreender as suas preocupações ou as suas reivindicações, e aprender a falar-lhes na linguagem que eles entendem. Pela mesma razão, as propostas educacionais não produzem os frutos esperados. A proliferação e o crescimento de associações e movimentos predominantemente juvenis podem ser interpretados como uma ação do Espírito que abre caminhos novos em sintonia com as suas expectativas e a busca de espiritualidade profunda e dum sentido mais concreto de pertença. Todavia é necessário tornar mais estável a participação destas agregações no âmbito da pastoral de conjunto da Igreja.
  5. Embora nem sempre seja fácil abordar os jovens, houve crescimento em dois aspetos: a consciência de que toda a comunidade os evangeliza e educa, e a urgência de que eles tenham um protagonismo maior. Deve-se reconhecer que, no atual contexto de crise do compromisso e dos laços comunitários, são muitos os jovens que se solidarizam contra os males do mundo, aderindo a várias formas de militância e voluntariado. Alguns participam na vida da Igreja, integram grupos de serviço e diferentes iniciativas missionárias nas suas próprias dioceses ou noutros lugares. Como é bom que os jovens sejam «caminheiros da fé», felizes por levarem Jesus Cristo a cada esquina, a cada praça, a cada canto da terra!
  6. Em muitos lugares, há escassez de vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Frequentemente isso fica-se a dever à falta de ardor apostólico contagioso nas comunidades, pelo que estas não entusiasmam nem fascinam. Onde há vida, fervor, paixão de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas. Mesmo em paróquias onde os sacerdotes não são muito disponíveis nem alegres, é a vida fraterna e fervorosa da comunidade que desperta o desejo de se consagrar inteiramente a Deus e à evangelização, especialmente se essa comunidade vivente reza insistentemente pelas vocações e tem a coragem de propor aos seus jovens um caminho de especial consagração. Por outro lado, apesar da escassez vocacional, hoje temos noção mais clara da necessidade de melhor seleção dos candidatos ao sacerdócio. Não se podem encher os seminários com qualquer tipo de motivações, e menos ainda se estas estão relacionadas com insegurança afetiva, busca de formas de poder, glória humana ou bem-estar económico.
  7. Como já disse, não pretendi oferecer um diagnóstico completo, mas convido as comunidades a completarem e a enriquecerem estas perspetivas a partir da consciência dos desafios próprios e das comunidades vizinhas. Espero que, ao fazê-lo, tenham em conta que, todas as vezes que intentamos ler os sinais dos tempos na realidade atual, é conveniente ouvir os jovens e os idosos. Tanto uns como outros são a esperança dos povos. Os idosos fornecem a memória e a sabedoria da experiência, que convida a não repetir tontamente os mesmos erros do passado. Os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a esperança, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo atual.
  8. Os desafios existem para ser superados. Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a audácia e a dedicação cheia de esperança. Não deixemos que nos roubem a força missionária!

Programa da Semana Santa de Esposende

11/04/2019

Terça-feira, dia 16 de abril

09h30 – Bênção dos Ramos na igreja da Misericórdia e Procissão da Entrada Solene de Jesus em Jerusalém até à igreja Matriz

Terça-feira, dia 16 de abril
15h30 – Missa dos Enfermos e celebração da Santa Unção – Lar da Santa Casa da Misericórdia de Esposende

Quarta-feira, dia 17 de abril
21h00 – Procissão de Velas como andor de Nossa Senhora da Soledade, da Capela da Senhora da Saúde para a Igreja Matriz.
21h30 – Concerto espiritual «Motetes para o tempo da Paixão e Ressurreição do Senhor» com o Coro de Câmara da Igreja Matriz de Esposende.

Quinta-feira, dia 18 de abril
17h00 – Missa da Instituição da Eucaristia com a cerimónia do Lava Pés, seguida da Trasladação do Santíssimo Sacramento para o Horto.
21h30 – Procissão dos Passos com o Sermão do Pretório (na Igreja da Misericórdia), Sermão do Encontro e Sermão do Calvário (Igreja Matriz).

Sexta-feira, dia 19 de abril
09h30 – Oração de Laudes, seguida do Sacramento da Reconciliação até às 11h30.
15h30 – Celebração Solene da Paixão do Senhor
21h30 – Procissão do Enterro do Senhor com o Sermão do Enterro e o Sermão da Soledade (Igreja Matriz).

Sábado, dia 20 de abril
09h30 – Oração de Laudes, seguida do Sacramento da Reconciliação até às 11h30.
17h00 – Encerramento da igreja Matriz para preparação da Vigília Pascal
22h00 – Vigília Pascal, com a celebração da Festa da Vida e dos Sacramentos da Iniciação Cristã

Domingo, dia 21 de abril – Dia de Páscoa
09h30 – 12h00 – 20h00 — Eucaristia Pascal
11h00 – Visita Pascal às Instituições
14h00 – Visita Pascal à População
19h30 – Visita Pascal aos Bombeiros e Encerramento

Segunda, dia 22 de abril
10h00 — Eucaristia Pascal
11h00 – Procissão da Recolha das Imagens com a celebração da Via Lucis

 

5.ª Semana da Quaresma – Não ao PESSIMISMO (EG 84-86)

06/04/2019

«Não ao pessimismo estéril»

  1. A alegria do Evangelho é tal que nada e ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16, 22). Os males do nosso mundo – e os da Igreja – não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso ardor. Vejamo-los como desafios para crescer. Além disso, o olhar crente é capaz de reconhecer a luz que o Espírito Santo sempre irradia no meio da escuridão, sem esquecer que, «onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5, 20). A nossa fé é desafiada a entrever o vinho em que a água pode ser transformada, e a descobrir o trigo que cresce no meio do joio. Cinquenta anos depois do Concílio Vaticano II, apesar de nos entristecerem as misérias do nosso tempo e estarmos longe de optimismos ingénuos, um maior realismo não deve significar menor confiança no Espírito nem menor generosidade. Neste sentido, podemos voltar a ouvir as palavras pronunciadas pelo Beato João XXIII naquele memorável 11 de Outubro de 1962: «Chegam-nos aos ouvidos insinuações de almas, ardorosas sem dúvida no zelo, mas não dotadas de grande sentido de discrição e moderação. Nos tempos actuais, não vêem senão prevaricações e ruínas. […] Mas a nós parece-nos que devemos discordar desses profetas de desgraças, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo. Na ordem presente das coisas, a misericordiosa Providência está-nos levantando para uma ordem de relações humanas que, por obra dos homens e a maior parte das vezes para além do que eles esperam, se encaminham para o cumprimento dos seus desígnios superiores e inesperados, e tudo, mesmo as adversidades humanas, converge para o bem da Igreja».
  2. Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre. Ninguém pode empreender uma luta, se de antemão não está plenamente confiado no triunfo. Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos. Embora com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: «Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza» (2 Cor 12, 9). O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal. O mau espírito da derrota é irmão da tentação de separar prematuramente o trigo do joio, resultado de uma desconfiança ansiosa e egocêntrica.
  3. É verdade que, nalguns lugares, se produziu uma «desertificação» espiritual, fruto do projecto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as suas raízes cristãs. Lá, «o mundo cristão está a tornar-se estéril e se esgota como uma terra excessivamente desfrutada que se transforma em poeira». Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam. Esta é outra forma muito triste de deserto. E a própria família ou o lugar de trabalho podem ser também o tal ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la. Mas «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós, homens e mulheres. No deserto, é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E, no deserto, existe sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança». Em todo o caso, lá somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!

4.ª Semana da Quaresma – Não ao EGOÍSMO (EG 81-83)

30/03/2019

«Não ao egoísmo»

  1. Quando mais precisamos dum dinamismo missionário que leve sal e luz ao mundo, muitos leigos temem que alguém os convide a realizar alguma tarefa apostólica e procuram fugir de qualquer compromisso que lhes possa roubar o tempo livre. Hoje, por exemplo, tornou-se muito difícil nas paróquias conseguir catequistas que estejam preparados e perseverem no seu dever por vários anos. Mas algo parecido acontece com os sacerdotes que se preocupam obsessivamente com o seu tempo pessoal. Isto, muitas vezes, fica-se a dever a que as pessoas sentem imperiosamente necessidade de preservar os seus espaços de autonomia, como se uma tarefa de evangelização fosse um veneno perigoso e não uma resposta alegre ao amor de Deus que nos convoca para a missão e nos torna completos e fecundos. Alguns resistem a provar até ao fundo o gosto da missão e acabam mergulhados numa acédia paralisadora.
  2. O problema não está sempre no excesso de actividades, mas sobretudo nas actividades mal vividas, sem as motivações adequadas, sem uma espiritualidade que impregne a acção e a torne desejável. Daí que as obrigações cansem mais do que é razoável, e às vezes façam adoecer. Não se trata duma fadiga feliz, mas tensa, gravosa, desagradável e, em definitivo, não assumida. Esta acédia pastoral pode ter origens diversas: alguns caem nela por sustentarem projectos irrealizáveis e não viverem de bom grado o que poderiam razoavelmente fazer; outros, por não aceitarem a custosa evolução dos processos e querem que tudo caia do Céu; outros, por se apegarem a alguns projectos ou a sonhos de sucesso cultivados pela sua vaidade; outros, por terem perdido o contacto real com o povo, numa despersonalização da pastoral que leva a prestar mais atenção à organização do que às pessoas, acabando assim por se entusiasmarem mais com a «tabela de marcha» do que com a própria marcha; outros ainda caem na acédia, por não saberem esperar e quererem dominar o ritmo da vida. A ânsia hodierna de chegar a resultados imediatos faz com que os agentes pastorais não tolerem facilmente tudo o que signifique alguma contradição, um aparente fracasso, uma crítica, uma cruz.
  3. Assim se gera a maior ameaça, que «é o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede dentro da normalidade, mas na realidade a fé vai-se deteriorando e degenerando na mesquinhez». Desenvolve-se a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como «o mais precioso elixir do demónio». Chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico. Por tudo isto, permiti que insista: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!

3.ª Semana da Quaresma – Não à guerra entre nós (VIOLÊNCIA) (EG 98-101)

23/03/2019

«Não à guerra entre nós»

  1. Dentro do povo de Deus e nas diferentes comunidades, quantas guerras! No bairro, no local de trabalho, quantas guerras por invejas e ciúmes, mesmo entre cristãos! O mundanismo espiritual leva alguns cristãos a estar em guerra com outros cristãos que se interpõem na sua busca pelo poder, prestígio, prazer ou segurança económica. Além disso, alguns deixam de viver uma adesão cordial à Igreja por alimentar um espírito de contenda. Mais do que pertencer à Igreja inteira, com a sua rica diversidade, pertencem a este ou àquele grupo que se sente diferente ou especial.
  2. O mundo está dilacerado pelas guerras e a violência, ou ferido por um generalizado individualismo que divide os seres humanos e põe-nos uns contra os outros visando o próprio bem-estar. Em vários países, ressurgem conflitos e antigas divisões que se pensavam em parte superados. Aos cristãos de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandecente. Que todos possam admirar como vos preocupais uns pelos outros, como mutuamente vos encorajais animais e ajudais: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35). Foi o que Jesus, com uma intensa oração, Jesus pediu ao Pai: «Que todos sejam um só (…) em nós [para que] o mundo creia» (Jo 17, 21). Cuidado com a tentação da inveja! Estamos no mesmo barco e vamos para o mesmo porto! Peçamos a graça de nos alegrarmos com os frutos alheios, que são de todos.
  3. Para quantos estão feridos por antigas divisões, resulta difícil aceitar que os exortemos ao perdão e à reconciliação, porque pensam que ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória e os ideais. Mas, se virem o testemunho de comunidades autenticamente fraternas e reconciliadas, isso é sempre uma luz que atrai. Por isso me dói muito comprovar como nalgumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, se dá espaço a várias formas de ódio, divisão, calúnia, difamação, vingança, ciúme, a desejos de impor as próprias ideias a todo o custo, e até perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. Quem queremos evangelizar com estes comportamentos?
  4. Peçamos ao Senhor que nos faça compreender a lei do amor. Que bom é termos esta lei! Como nos faz bem, apesar de tudo amar-nos uns aos outros! Sim, apesar de tudo! A cada um de nós é dirigida a exortação de Paulo: «Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem» (Rm 12, 21). E ainda: «Não nos cansemos de fazer o bem» (Gal 6, 9). Todos nós provamos simpatias e antipatias, e talvez neste momento estejamos chateados com alguém. Pelo menos digamos ao Senhor: «Senhor, estou chateado com este, com aquela. Peço-Vos por ele e por ela». Rezar pela pessoa com quem estamos irritados é um belo passo rumo ao amor, e é um acto de evangelização. Façamo-lo hoje mesmo. Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!